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A sucessora


Agora que o presidente desceu a rampa, recebi permissão para falar.

Como se sabe, meu cinismo essencial não apenas estende-se à política, mas deve-se em grande parte a ela. Sobre democracia não chego a compartilhar todas a descrenças de Lovecraft, mas endosso sem qualquer dúvida a iluminada desilusão de Tolkien. Como a esta altura também ninguém deve ignorar, não me considero de esquerda, mas pendo periodicamente em direção a ela devido à minha impenitente simpatia para com o cristianismo e sua insensata ênfase distributiva; pela mesma razão, não sou de direita e nem teria como ser.

Meu respeito para com o ideal cristão, no entanto, é grande demais para que eu me contente com a esquerda; como já devo ter dito antes, o problema com o socialismo é ser ao mesmo tempo idealista demais e de menos. Em termos políticos, só me resta afirmar um anarquismo cristão como esboçado no Novo Testamento, que entende a implantação do reino de Deus como o fim de todos os governos: a formidável negação de toda estrutura de poder e de dominação, em todos os níveis, por mais bem-intencionadas que se mostrem. A negação da legitimidade dos poderes, ao contrário do que tememos os fariseus de todas as eras, não é o reinado do caos: é o intransigente reino da liberdade, da ternura e da responsabilidade universais, em que o regime do amor se prova mais severo do que o da justiça. Muito declaradamente, Deus esvaziou-se em Jesus a fim de mostrar que onde não há poderes, há o reino de Deus. Deus é Despoder.

Naturalmente, um regime subversivo dessa natureza só pode ser implantado de baixo para cima. Por definição os anarquistas não devem se organizar, pelo que a do reino, por vocação, é a revolução que não será televisionada.

Enquanto isso os poderes continuam a dançar, e é uma dança de discursos e portanto de polarização. No que diz respeito à recente ascensão da esquerda no Brasil, interessa-me menos a esperança (quem sabe infundada) que despertou em alguns do que o temor que despertou em outros.

Porém o fascínio de Lula é maior do que o da esquerda; sua importância não se esgota na sua lealdade (ou não) ao ideal socialista. Em grande parte, a singularidade desses oito anos reside no espaço negativo que circundou a figura do ex-presidente – na natureza daquele vasto tudo-aquilo-que-não-é-Lula. Faz pouca diferença se você enxerga Luis Inácio da Silva como uma estrela cujo brilho ofuscou todas as outras ou como um buraco negro que arrastou para dentro de si as energias que serviriam para iluminar o mundo. São anos que ficarão marcados menos pelo que Lula fez ou deixou de fazer do que pelo que ele gerou (e deixou de gerar) ao redor de si.

Em primeiro lugar, o duplo mandato de Lula deixou claro que a democracia no Brasil basta para permitir que qualquer um chegue efetivamente ao poder; essa mesma revelação mostrou ser motivo de júbilo para uns e de horror para outros. Nesse sentido, foram oito anos de comunitária nudez, a reação que oferecemos à ascensão e à postura de Lula dizendo sempre mais sobre nós mesmos do que sobre ele.

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A melhor definição de política


Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola! Posso te fazer uma pergunta?
– Claro, meu filho, qual é a pergunta?
– O que é política, pai?
– Bem, política envolve: Povo; Governo; Poder econômico; Classe trabalhadora; Futuro do país.
– Não entendi. Dá para explicar?
– Bem, vou usar a nossa casa como exemplo: Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico. Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é o governo. Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. Seu irmãozinho é o futuro do país e a Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora.
– Entendeu, filho?
– Mais ou menos, pai. Vou pensar.
Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho, o menino, foi ver o que  havia de errado. Descobriu que o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na cama com ela TRANSANDO INTENSAMENTE…….. Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu.
Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
– Pai, agora acho que entendi o que é política…………………………
– Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
– Bom, pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!

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VOCÊ NÃO ESTÁ FAZENDO POLÍTICA?


Sim! Quando escrevo algo dessa natureza e de quase qualquer outra natureza, estou fazendo Política, pois, não é possível se mover, falar, não falar, dizer, omitir, expressar ou esconder — sem que isto não seja de natureza Política; pois na vida voto em branco é escolha Política.

Até quando o prego o Evangelho explicitamente faço Política, pois, afirmar o que afirmo implica em desconstruções de natureza Política; e às vezes até em muitas “políticas”. Afinal, Política é, antes de tudo, aquilo que concerne à vida humana em sociedade e em relacionalidade.

A morte de Jesus e dos profetas aconteceu, do ponto de vista histórico, com seus fenômenos, em e por razões de natureza política.

O Evangelho, conquanto não seja deste mundo, abala todo trono, principado e poder — seja do céu, seja da terra.

E não apenas Jesus, João (o Batista), todos os profetas — mas também todos os apóstolos morreram em razão de que seu falar do Evangelho era interpretado politicamente.

João, o apóstolo, entretanto, foi exilado por razões políticas em Pátmos, e escreveu de lá o livro mais Político da Bíblia, que é o Apocalipse — política local (do Império Romano), e Política Profética, e que teria aplicabilidade universal, como hoje se vê.

Aquele que disse “Cuidai do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes”—estava expressando algo mais que Político. Ele fazia uma advertência-denúncia. Muitas das falas de Jesus, que para um leitor ignorante dos contextos históricos parecem mansas e suaves, eram, de fato, provocações revolucionárias, do ponto de vista dos políticos, tanto seculares quanto religiosos (fariseus e Herodes, por exemplo).

Na época do Impeachment de Collor de Melo, escrevi um livro sobre esse encontro entre a Profecia e o Poder Político (“A Bíblia e o Impeachment” — esgotado); e que tratava esse tema com razoável esmiuçamento. E nele, entre tantas coisas, eu tratava da diferença entre política partidária (a qual eu creio que aquele que deseja viver profeticamente não deve fazer), e Política Profética. No primeiro caso tem-se um compromisso de casamento ideológico com uma bandeira. E, assim, pela escolha, se cria o que é “partido”. Já no segundo caso a única aliança é para com o espírito do Evangelho, sempre usando o bom senso na escolha do que, num mundo caído, seja um mal menor, não havendo boas escolhas ou escolhas ideais. Isto a menos que se tenha uma Palavra de Deus, e, em tal caso, não apenas ela será de acordo com o espírito do Evangelho, como também não buscará referendos humanos; posto que não é negociável no coração.

Portanto, respondendo, digo: É claro que o meu Apólogo, assim como quase todos os textos do site, carregam implicações Políticas, embora, nem sempre, tenham qualquer conotação “política”. No texto do Apólogo, por ter a ver com uma decisão “política” no Brasil, alguém pode ler o que escrevi como sendo “política”. Quando escrevo sobre os Estados Unidos parece ser uma profecia. “Ninguém é profeta em sua própria terra”, disse Jesus.

Porém, o que escrevi não é pró-nada, em meu coração, exceto pró-Brasil. Por exemplo, se fosse pró-Alckmin, eu teria aceitado o convite dos assessores dele para falar no programa do homem — o que eu jamais faria, nem que um de meus filhos fosse o candidato. Pelo contrário, caso um deles o fosse, provavelmente eu ficaria de todo calado.

Não tenho compromisso com ninguém e nem com grupo algum; assim como não busco favorecimentos. Apenas falo com o coração, e sem nem mesmo buscar lógicas políticas, pois, sei como funciona tal lógica; e não é por ela que eu falo; assim como não é por lógica alguma que eu prego o Evangelho.
Um beijão!
Nele, que é o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores,

 

Caio

 

 

 

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A coxinha envenenada de Zé Dirceu


Quem viu as imagens aéreas do protesto convocado por Zé Dirceu e os 40 sindicatos deu-se conta do naniquismo da “Marcha Sobre São Paulo”. Ninguém quis comer a coxinha daquele que o Ministério Público Federal diz ser “chefe da quadrilha do mensalão” e de Bebel, a sua aliada. Compareceram ao comício ilegal anti-Serra não mais do que 3 mil pessoas. Já juntei 600 num simples lançamento de livro…  Havia lá um espumantezinho… Não dei coxinha pra ninguém. Os cálculos da PM são feitos com base na área ocupada pelos manifestantes. Parte da imprensa acredita que isso também é questão de “lado” e “outro lado”: a PM diz 3 mil, a Apeoesp diz 40 mil, as duas informações são publicadas, e o leitor que decida em quem acreditar… Tudo vira guerra de versões. Em breve, certo jornalismo ainda vai ouvir as pessoas favoráveis, sei lá, à paralisia infantil, ao tétano e à gripe suína… Afinal, todo mundo tem o direito de dar a sua versão…

Os camisas-negras tentavam se espalhar, ocupando a maior área possível, e os claros iam se abrindo, evidenciado que os servidores públicos, especialmente os professores e as professoras, recusaram a coxinha de ilegalidades servida por Bebel; recusaram os seus acepipes eleitoreiros.

Em seu blog, de modo patético, ela fala em mais de 40 mil pessoas, o que é ridículo. Esta senhora não deve saber o que é isso. Quem, em São Paulo, já viu um Pacaembu lotado, com 30 mil pessoas? Para Bebel, a meia-dúzia de gatos pingados lotaria um Pacaembu, e ainda o correspondente a um terço do estádio ficaria de fora. É de morrer de rir! Os números que ela veícula são tão fiéis à realidade quanto aquela foto do seu blog… Ao vivo e em cores, a realidade, nos dois casos, é bem outra. Mas há quem goste de fantasias.

Mas que se note: nunca três mil pessoas renderam tantos títulos no jornalismo online, coisa que vocês puderam constatar. Era o que pretendia o movimento, que vem sendo paparicado há dias. E o maior dos paparicos é não publicar a pauta completa de reivindicações da Apeoesp. O reajuste de 34,3% é mera fachada. O sindicato quer o fim das leis que limitam as faltas, que garantem a promoção por mérito e que premiam com bônus os professores que cumprem metas. A folha de pagamentos da Secretaria de Educação cresceu, entre 2005 e 2009, de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões, ou 33%. O nome disso: salário. Não é assim porque eu quero. É assim porque está tudo devidamente registrado. O curioso é que também essa informação é oferecida aos leitores como o “outro lado”, o da Secretaria de Educação… Na versão de Bebel, não há reajuste de salários desde 2005. Vai ver os professores não aderem à greve porque sabem que houve.

A próxima assembléia está marcada para quinta-feira. Bebel vai insistir no “sucesso” do seu movimento. A tentativa do PT é decretar paralisações em outros setores do funcionalismo, de modo a atrapalhar a vida dos paulistanos, e jogar a responsabilidade nos ombros dos adversários do PT.

Isso está “colando”? Tenho a impressão de que não está. Tenho a impressão de que já se pode fazer neste estado o plebiscito entre queimadores de livros e produtores de livros; entre queimadores de livros e leitores de livros; entre queimadores de livros e amantes dos livros.

O “não” dos servidores e dos paulistas como um todo à arruaça promovida pelo petismo é um bom sinal. Parece marcar o repúdio a uma prática detestável das esquerdas, que é fazer a sociedade refém de seus desígnios e da sua militância. Em São Paulo, diga-se, esse tipo de pregação não tem frutificado. A maioria não vê com bons olhos a manipulação de causas que de fato existem — os professores precisam ganhar mais, e, por isso, existe um plano de carreira — em benefício de um partido.

Bebel está naquela de afirmar uma inexistente adesão maciça da categoria à greve na esperança de que a mentira frutifique e acabe se transformando numa verdade. Mas os professores, evidentemente, sabem a realidade de suas respectivas escolas. Nem eles nem os demais servidores parecem dispostos a seguir cegamente uma pauta que é de um partido político e nada tem a ver com a educação.

Desta vez a bruxa não conseguiu passar adiante a sua maçã envenenada.

Reinaldo Azevedo

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PT promove greve e baderna em SP


Nem precisa comentar…

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Reinhold Stephanes diz que PT é ‘coisa do diabo’


Filho de ministro da Agricultura fez discurso na Assembleia do PR no qual chamou José Dirceu de ‘bandido’ e questionou escolha de Dilma como candidata

Em discurso inflamado realizado no último dia 1º, na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado Reinhold Stephanes Junior (PMDB), filho do atual ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, chamou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, de “bandido” e afirmou, ao criticar a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita recente à Cuba, que o PT é “coisa do diabo, que não serve para nada”. O deputado ainda questionou no plenário a escolha da ministra Dilma Rousseff como candidata ao Planalto. “Como (o PT) pode indicar uma pessoa que assaltava bancos?”, perguntou.

Confira abaixo o discurso do deputado estadual:

Uma coisa sei, politíca é o campo do diabo!

Estadão

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Suplicy repudia posicionamento de Lula sobre Cuba


Em discurso feito na tribuna do Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou de Lula posições mais firmes e coerentes sobre a falta de demcocracia em Cuba.

Para Suplicy, o “respeito” que Lula devota aos irmãos Raúl e Fidel Castro não deveria impedi-lo de lembrar aos amigos cubanos alguns valores básicos.

Por exemplo: a necessidade de observar os direitos humanos e a conveniência de valorizar as liberdades democráticas, sobretudo a liberdade de expressão.

O senador petista lembrou que, em 1998, numa visita que fez a Cuba, o então papa João Paulo Segundo não se furtara a mencionar o essencial.

Segundo Suplicy, o papa defendera o fim do embargo dos EUA à ilha. Mas também mencionara que Cuba deveria render-se à liberdade e ao pluralismo político.

Em entrevista concedida à Associated Press, Lula comparou os presos políticos de Cuba aos criminosos comuns de São Paulo. E condenou a greve de fome.

Em seu discurso, Suplicy cuidou de recordar ao presidente que há enorme diferença entre os presos de consciência de Cuba e os bandidos paulistas. Acrescentou:

“Gostaria que Lula se recordasse de algumas das pessoas da história que fizeram greve de fome para alcançar um objetivo importante na história dos povos”.

Suplicy mencionou o líder indiano Mahatma Gandhi. Citou também o ícone sul-africano Nelson Mandela.

Também nesta quarta (10), o deputado Raul Jungmann protocolou no Planalto a carta que Lula negara ter recebido na visita que fizera a Cuba, em 23 de fevereiro.

No texto, os opositores do regime de Havana pedem a Lula que interceda junto aos irmãos castro em favor da liberação dos presos políticos de Cuba.

Lula queixara-se de que os autores da carta deram-na por entregue sem ao menos tê-la protocolado. Agora, já não pode alegar a ausência de protocolo.

A exemplo de Suplicy, Jungmann também refutou os últimos comentários do presidente: “Lula e a ministra Dilma [Rousseff] foram presos políticos…”

“…Por isso mesmo o presidente não poderia nivelar prisioneiros de consciência com sequestradores, assassinos e estupradores, que são pessoas que cometeram crimes…”

“…Isso não tem o menor cabimento. Os prisioneiros de Cuba estão na cadeia porque lutam pela democracia e pela liberdade”.

Mais cedo, Jungmann tentará aprovar na comissão de Relações Exteriores da Câmara uma moção lamentando a morte de Orlando Zapata Tamayo.

Preso em Cuba, Tamayo fenecera horas antes da chegada de Lula a Cuba, depois de 85 dias de uma infrutífera greve de fome.

Representantes do consórcio governistas manobraram para impedir que a moção fosse aprovada.

“É lamentável que a base do governo se recuse a enxergar o flagrante desrespeito aos direitos humanos em Cuba”, disse Jungmann.

De resto, as derradeiras declarações de Lula ecoaram também em Cuba. Mereceram comentários do jornalista e sociólogo Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias.

Fariñas (na foto lá do alto) disse que Lula é “cúmplice da tirania dos Castro”. Mais: afirmou que Lula esqueceu o próprio passado.

Escrito por Josias de Souza às 21h38

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