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Lúcio já coloca Messi no nível de Pelé e Maradona


O zagueiro Lúcio, capitão da seleção brasileira e titular da Inter de Milão, terá pela frente nesta terça-feira um jogador que, segundo ele, já está no mesmo patamar de Pelé e Maradona.

Vivendo a melhor fase de sua ainda curta carreira, o meia-atacante argentino Lionel Messi, 22, é a maior atração do confronto entre Barcelona e Inter, a partir das 15h45 (de Brasília) de hoje, na Itália, que abre as semifinais da Copa dos Campeões da Europa.

Além dos elogios a Messi, Lúcio afirmou em entrevista exclusiva à Folha que não considera o Barcelona o favorito no mata-mata decisivo apesar de toda a badalação em torno do futebol apresentado pelo clube catalão nesta temporada.

Para justificar sua opinião, o zagueiro brasileiro lembrou que a Inter era zebra diante do Chelsea, nas oitavas de final, mas eliminou o time inglês, dono de um dos elencos mais ricos do planeta.

Confira a íntegra da entrevista com Lúcio

Folha – O Barcelona é o time mais badalado do mundo, possui o maior jogador do planeta e pouco tropeça, enquanto a Inter, apesar de brigar pelo título italiano, vem colecionando resultados negativos. Dentro deste contexto, dá para falar que o Barcelona é favorito no confronto? Qual o motivo?

Lúcio – Vejo da seguinte forma: pelo último ano, e porque tem um grupo de grandes jogadores, a Inter está indo bem em 2010. Todos diziam que estávamos fora contra o Chelsea [nas oitavas de final] e conseguimos passar. Vamos tentar repetir a dose contra o Barcelona.

Folha – Ao contrário do Milan, a Inter não tem tradição recente de realizar grandes campanhas na Copa dos Campeões. Como está o clima aí em Milão com a campanha da Inter neste ano? Há muita euforia?

Lúcio – Creio que a tradição vem através das conquistas. Nossos torcedores acreditam em nós, e isso é importante. A equipe está motivada para este confronto, que vai ser difícil, mas não impossível.

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A Igreja ainda tem futuro?


Quando tomei o trem para me encontrar com o teólogo Hans Kung (em alemão com trema no u), na cidade de Tubingen, via Zurique e Horb, tinha digerido um volumoso livro com mais de 700 páginas. Em alguns dias, minhas anotações e orelhas lhe deram uma feição de livro batido e envelhecido.

O título – Memórias, uma Verdade Contestada, uma foto de Hans Kung, ele sim um intelectual idoso de 82 anos, mas lúcido, vivo e de hábitos bem suíços, nascido que foi em Lucerna. Mal cheguei em sua casa, que é também sede do seu Instituto de ética planetária, já nos sentamos para a entrevista que gravei no meu digital mini-disk profissional, para evitar qualquer dúvida depois da publicação.

A quase íntegra ocupa uma página no Expresso, deste sábado, jornalão semanário de Lisboa. O título – O grande problema é o celibato dos padres, com um sobretítulo – teólogo reformador diz que é urgente agir. Kung queria que falássemos só do conteúdo do livro, respondi que para isso não precisaria ter viajado mais de quatro horas. Aceitou, me deu um máximo de 45 minutos, que acabaram sendo mais de uma hora e disparei – a Igreja ainda tem um futuro ?

Hans Kung é um teólogo contestador que se poderia também dizer provocador. Não foi proibido de falar, como aconteceu com o nosso Leonardo Boff, mas há vinte anos, a Cúria romana lhe tirou o direito de ensinar a teologia católica na Universidade de Tubingen. Naquela época não se falava em pedofilia, mas num dogma duro de se engolir, mesmo para um teólogo católico apostólico romano – o da infalibilidade papal. Kung escreveu um livro contestando, lembrando que, no primeiro milenário cristão, isso não existia, mas que o absolutismo da Igreja veio bem depois.

Ao lhe aplicar a punição, a Igreja pensava ter aplicado uma pena inquisitorial capaz de silenciar o irreverente e reduzi-lo a um padre anônimo. Nada disso aconteceu. Kung recebeu o apoio dos estudantes, do governo alemão revoltado com a intromissão do Vaticano numa de suas universidades e até de teólogos protestantes, não só alemães mas de todo mundo. Deixou de ensinar teologia, mas a universidade criou a cadeira de ecumenismo e, enquanto o novo professor de teologia católica ficava com a classe às moscas, as aulas de Kung eram disputadas, ainda mais por já não terem um cunho confessional.

Durante a entrevista, Kung lembrou-se dos brasileiros que encontrou durante o Segundo Concílio do Vaticano, convocado pelo Papa João XXIII, para uma grande reforma na Igreja; Paulo Evaristo Arns, Aloísio Lorscheider, Helder Câmara e Sérgio Mendes Arceu.

Em pouco tempo, logo depois da morte de João XXIII e a eleição de Paulo VI, a Cúria Romana reassumiu o controle da situação e todas as reformas foram esquecidas, cometendo-se ainda outros absurdos como a encíclica contra os anticoncepcionais, justamente quando as mulheres descobriam a pílula. A chegada do polonês João Paulo II foi ainda mais contundente, acentuando o reacionarismo, fundamentalismo e o mediavelismo de uma Igreja, hoje rejeitada pelo jovens e cedendo rapidamente terreno aos evangélicos na América Latina.

O livro de Hans Kung conta com pormenores a época em que Joseph Ratzinger, convidado por Kung, veio também lecionar em Tubingen. Ambos despontavam como jovens teólogos da Igreja, porém, pouco a pouco foram se distanciando ideologicamente a ponto de estarem, hoje em posições opostas.

O Papa Bento XVI nada tem a ver com o jovem Ratzinger que também participou com Kung dos encontro do Vaticano II. A Igreja Católica de hoje vive num impasse e para sobreviver precisa rever alguns de seus dogmas e posições, como o celibato clerical, o absolutismo Papal e sua pretensa infalibilidade, o dogma da assunção de Maria, a questão dos anticoncepcionais, sua posição diante do ecumenismo e o próprio papel da mulher dentro da Igreja.

Kung argumentou num artigo no jornal Le Monde que o celibato clerical criou problemas no clero católico e é uma das principais causas da pedofilia dentro da Igreja e das instituições dirigidas pela Igreja. Enfim, a Igreja – segundo ele – tem ainda seu futuro mas os bispos e os fiéis precisam agir, durante este Papado, ou na eleição do próximo Papa, a fim de se retornar aos princípios do Vaticano II.

Resumindo, a hora é grave para a Igreja, que insiste em não querer ver o mundo no qual vivem seus fiéis. Muitos bispos não estão dispostos a continuar aceitando os escândalos, mesmo se o Vaticano substituiu todos os cardeais e bispos reformadores por reacionários não só no Brasil mas em todo mundo.

Rui Martins, no Direto da Redação.

Via PavaBlog

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“Pressão popular é fundamental para aprovar o Ficha Limpa”


Relator do projeto que prevê inelegibilidade de candidatos condenados pela Justiça diz em entrevista a ÉPOCA que, sem a participação da população, a aprovação corre risco.

Dois meses depois de receber um abaixo-assinado com 1,3 milhão de assinaturas que pede a inelegibilidade de condenados pela Justiça, a Câmara começou a avaliar o texto em fevereiro. Um grupo de trabalho foi criado para avaliar a proposta popular, bem como outros textos sobre o mesmo tema, e criar um projeto de lei definitivo.

A discussão está evoluindo por meio de audiências públicas realizadas na Câmara com a participação de diversos grupos, em especial do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que reúne 43 entidades e organizou a coleta das assinaturas. Nesta semana, o relator do projeto, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ), deve apresentar um texto  para ser votado no grupo de trabalho. Uma vez aprovado, seguirá para as mãos do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

Nesta entrevista a ÉPOCA, o deputado Índio da Costa descreve detalhes que estarão no texto final e diz que, para ser aprovado, o Ficha Limpa depende de forte pressão popular pois um acordo no Congresso parece improvável.

ÉPOCA – O que é preciso para que o projeto Ficha Limpa seja aprovado neste ano?
Índio da Costa
– O pressão popular é fundamental para aprovar o Ficha Limpa. Se não for a população, será muito difícil um acordo, tanto na Câmara quanto no Senado. O meu projeto é de 2008, mas há um de 1996, outro de 1993… São 13 propostas similares que preveem a proibição da candidatura para pessoas condenadas e que estão parados no Congresso.
ÉPOCA – O que impede a aprovação?
Índio da Costa
– Há um interesse de manter as coisas correndo frouxas. Tem muita gente, um percentual que nem é muito alto – mas eu diria que enquanto uma pessoa estiver fazendo isso já é muita gente – indo para o Congresso para se proteger de algum crime passado. Para não ser preso, o sujeito vai para a política para ter imunidade parlamentar. O projeto serviria como um filtro.

ÉPOCA – O projeto popular prevê que condenados em primeira instância não possam ser candidatos. Mas há uma possibilidade de o texto final determinar que ficarão inelegíveis os condenados em segunda instância. Qual o motivo da mudança?

Índio da Costa – Muitas pessoas, como o presidente da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], Ophir Cavalcante, defendem a inelegibilidade a partir de uma condenação em segunda instância porque na maior parte das primeiras instâncias não há órgão colegiado e a decisão é tomada por uma única pessoa. Eventualmente, todos podem errar, e você colocar a decisão nas mãos de um só magistrado pode tornar as coisas complicadas. Há uma outra ideia, do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que está sendo estudada. Ela prevê que o candidato que tem uma condenação em primeira instância possa acelerar a ida desta ação para a segunda instância.

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“A religião envenena tudo”


Frontal, polémico e irónico. Dos quatro cavaleiros do anti-apocalipse – como foram baptizados os pensadores ateus que surgiram dos últimos cinco anos – Christopher Hitchens é o mais controverso. Jornalista, colunista na “Vanity Fair” e na “Atlantic Monthly”, acusou a Madre Teresa de Calcutá de se dar com ditadores. Christopher, inglês a viver nos Estados Unidos, esteve em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa, para discursar sobre a “Urgência do Ateísmo”. O escritor, de 60 anos, falou com o i enquanto regressava de uma visita a Évora, e já tem um livro a caminho, desta vez vai analisar os Dez Mandamentos.

De que forma é que a religião envenena tudo, como diz no seu livro?

A religião diz-nos que não temos liberdade, que fomos feitos por um ser superior. Esse ditador divino disse-nos que não saberíamos nada e que não seríamos capazes de distinguir o bem do mal. É uma forma doente de educar as pessoas. Envenena porque te torna num escravo, mas a religião não vai acabar.

Porquê?

Porque tem como principais recursos a estupidez humana, a crendice e a vaidade, disfarçada de humildade. A religião não acaba porque somos egocêntricos e temos medo de morrer. Assim, acreditamos que dizemos umas coisas pela ordem certa e vamos para o céu. Até agora nunca foi provado que aquele ser omnisciente e benigno existe.

E os milagres, como o de Fátima?

Ilusões. Duas coisas simples provam que não existe: ela nunca aparece a não cristãos e quando aparece é igualzinha à estátua que está à entrada da escola das crianças. Já agora, se o Sol tivesse parado tinha sido visto noutras partes do mundo. Fátima mais parece uma senhora que nasceu na Islândia ou no Minnesota do que na Galileia.

Porque escreveu “Deus não é Grande – Como a Religião Envenena Tudo”?

O debate entre os que acreditam no sobrenatural e os que não acreditam é o mais importante. Na altura [2007] havia um confronto entre a teocracia e a democracia. Além disso, tinha a sensação de que nos EUA estavam fartos de ver o ensino da biologia substituído por religião, com a história do criacionismo. A violência da jihad também era, e é, uma preocupação real. É o reavivar de superstições medievais, com crueldade e estupidez.

Em várias culturas sempre houve a noção de Deus, porquê?

É inato à mente humana procurar padrões para entender o mundo. Somos primatas que precisam disso, foi assim que aprendemos a domesticar animais, entendemos o padrão, logo o seu comportamento. A desvantagem é que preferimos aceitar qualquer tipo de padrão a nenhum. Haverá uma razão para que todas as igrejas de Lisboa tenham caído em 1755? É tão importante para nós. De certeza que é importante para o cosmos. Mas estão enganados. Não havia plano, há sim uma grande falha entre Lisboa e os Açores.

Somos demasiado egocêntricos?

Uma das grandes piadas da religião é que defende a ideia de que somos simples criaturas, não valemos nada, mas depois acrescenta: “Já agora, nós somos a razão pela qual o Sol se levanta.” Pergunto: “Sou humildes ou não?” Aliás, são muito arrogantes. Pensam: “Claro que todas as igrejas de Lisboa caíram porque comi a mulher do meu amigo.”

Mas a religião não é importante na educação, já que cria padrões morais?

É um argumento muito comum em todas as religiões. Tenho uma pergunta para essas pessoas: se a religião é a base da moral então enumerem-me uma acção moral que só uma pessoa de fé possa fazer e que eu, como ateu, não possa? Não existe. E conseguem indicar-me uma acção cruel que um crente faça apenas por causa da sua fé? Os exemplos são muitos: do 11 de Setembro à Inquisição.

Existem religiões mais perigosas do que outras?

Nos anos 30 e 40 do século XX, diria que a mais perigosa era o catolicismo romano porque estava relacionado com o fascismo. Agora é muito claro que é a versão mais radical do islamismo. Não aceito que vivamos à mercê de pessoas que às vezes nos toleram outras não. Quando armas de destruição maciça caem nas mãos de loucos, ou temos de ser muito educados para não os chatear – que para mim seria uma humilhação intolerável – ou vamos esperar pelo veredicto final – que é uma versão ainda pior do mesmo dilema. Recuso-me a viver um dia da minha vida submisso ao prazer destas pessoas.

Vanda Marques, no iOnline.
dica do Rodney Eloy

a garimpo vai lançar nos próximos dias O cristianismo é bom para o mundo? – Um debate, livro que traz um debate entre hitchens e o pastor douglas wilson. preciso falar que recomendo? =)

PavaBlog

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Penso em abrir uma igreja, diz Rita Lee


Questionada pela coluna Mônica Bergamo sobre o que achou do valor arrecadado por Madonna para sua ONG em visita ao Brasil, a cantora Rita Lee diz que desconfia de artistas que carregam suas plataformas ideológicas por onde passam. “Mas confesso que estou pensando em abrir uma igreja”, afirmou.

A íntegra da coluna, publicada na Folha desta segunda-feira (1º), está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

Rita Lee, que no ano passado rompeu um tendão do ombro e precisou adiar os shows que faria em outubro, volta aos palcos de SP nesta sexta-feira.

Na entrevista, ela disse também que acha “chato pra caramba” o “Big Brother Brasil”. “Às vezes, zapeando, vejo alguma coisa. As mesmas bundas de sempre, os mesmos silicones, os mesmos bíceps, as mesmas briguinhas…”, afirma.

A cantora e compositora Rita Lee afirma achar “chato pra caramba” o “Big Brother Brasil”

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“O acesso ao luxo nos torna egoístas”


A conclusão é de um professor de Harvard que estudou nossas reações a símbolos de status e riqueza.

Antes de procurar entender a influência do luxo sobre as decisões que tomamos, o professor Roy Chua estudou as diferenças de liderança e gestão no ambiente empresarial dos Estados Unidos e da China. Foi quando percebeu que uma reunião feita numa sala modesta pode levar a conclusões distintas daquelas a que o mesmo grupo de pessoas chegaria se estivesse rodeado de telões de plasma e pisando sobre mármore. “Talvez limitar os excessos e luxos corporativos possa ser um passo à frente para que os executivos se comportem de forma mais responsável”, afirma.

QUEM É
Nascido em Cingapura, Roy Chua é professor assistente de liderança e comportamento organizacional da Harvard Business School (EUA)

O QUE FEZ
É Ph.D. em gestão pela Columbia Business School (EUA)

O QUE PUBLICOU
Artigos no Journal of International Business Studies e Academy of Management Journal. A pesquisa sobre a influência do luxo no comportamento foi feita com a colega Xi Zou, da London Business School

ÉPOCA – Quais foram as principais revelações das três experiências que exploraram a ligação entre os produtos que simbolizam o luxo e as atitudes egoístas?

Roy Chua –
Pudemos comprovar que o mero contato com artigos de luxo afeta as decisões. Quem convive com carros esportivos, relógios caros e roupas de grife toma mais decisões em interesse próprio. Não é necessário ter os objetos. Trabalhar em um ambiente rodeado por eles mexe com a cognição. Uma reunião de negócios em uma sala modesta pode chegar a conclusões totalmente distintas de uma realizada em um escritório com piso de mármore e telões de plasma.

ÉPOCA – Qual é o método usado no estudo para chegar a essa conclusão?

Chua – Entrevistamos quase 800 estudantes universitários, divididos em dois grupos. Na primeira experiência, exibíamos para um grupo fotos e vídeos de produtos luxuosos como relógios Cartier, sapatos Ferragamo, carros superesportivos. Em outro grupo, exibíamos apenas imagens de produtos baratos e de segunda mão. Em seguida, dávamos aos dois grupos um questionário com decisões que deveriam tomar. Percebemos que as pessoas no grupo exposto a imagens luxuosas tomavam mais decisões em seu interesse próprio.

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“Não acumulem para vocês tesouros na terra… mas acumulem… tesouros nos céus.” Mateus 6:19-20

Não podeis servir a Deus e ao dinheiro

Parece que algué chegou primeiro a essa conclusão…

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“O lulismo pode durar 30 anos”


Para o ex-porta-voz de Lula, a conquista dos eleitores pobres levará o PT à hegemonia política

Autor de um artigo que causou grande repercussão nos meios acadêmicos e políticos, o cientista político e ex-porta-voz da Presidência André Singer diz que as eleições presidenciais de 2010 serão o grande teste de força do lulismo. Para Singer, o lulismo alia um projeto de redistribuição de renda à manutenção da ordem social, o que atraiu eleitores conservadores e de baixa renda historicamente avessos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Singer acompanhou Lula ao longo do primeiro mandato e estudou o comportamento eleitoral brasileiro nas cinco últimas eleições para presidente. Segundo ele, o lulismo reorganizou o eleitorado brasileiro e poderá virar uma força política hegemônica por décadas.

ENTREVISTA – ANDRÉ SINGER

QUEM É
André Singer é jornalista e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo. Tem 51 anos, é casado e pai de duas filhas

O QUE FEZ
Foi porta-voz da Presidência da República entre 2003 e 2007 e secretário de Imprensa de 2005 a 2007

O QUE PUBLICOU
É autor de Esquerda e direita no eleitorado brasileiro (Edusp, 2000) e de O PT (Publifolha, 2009) e organizador de Sem medo de ser feliz: cenas de campanha (Scritta, 1990)

ÉPOCA – Como o senhor define o lulismo?
André Singer
– O lulismo é a execução de um projeto político de redistribuição de renda focado no setor mais pobre da população, mas sem ameaça de ruptura da ordem, sem confrontação política, sem radicalização, sem os componentes clássicos das propostas de mudanças mais à esquerda. Foi o que o governo Lula fez. A manutenção de uma conduta de política macroeconômica mais conservadora, com juros elevados, austeridade fiscal e câmbio flutuante, foi o preço a pagar pela manutenção da ordem. Diante desse projeto, a camada de baixa renda, cerca de metade do eleitorado, começou a se realinhar em direção ao presidente.

ÉPOCA – Quando isso aconteceu?
Singer
– Em 2006. Houve um realinhamento eleitoral, um deslocamento grande de eleitores que ocorre a cada tantas décadas. A matriz desse tipo de estudo é americana. Lá, eles acham que aconteceu um realinhamento eleitoral em 1932, quando (Franklin) Roosevelt ganhou a eleição presidencial. Ele puxou uma base social de trabalhadores para o Partido Democrata que não havia antes. Aqui, em 2006 a camada de baixíssima renda da população, que sempre tinha votado contra o Lula, votou a favor dele. A diferença entre 2002 e 2006 foi que Lula perdeu base na classe média, seu eleitorado tradicional, e ganhou base entre os eleitores de baixa renda.

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