OVNI


Vi  no Fantástico uma reportagem sobre um sujeito que lançou aos céus de Embu das Artes uma engenhoca luminosa dias atrás, e causou alguma comoção aos observadores terrestres, intrigados com as luzinhas voadoras. Isso me fez pensar em como os discos voadores saíram de moda. Trinta ou quarenta anos antes, uma notícia dessas causaria muito mais tumulto. Durante minha infância e adolescência testemunhei muitas discussões acaloradas sobre a existência ou não de discos voadores e de vida extraterrestre.

Filmes como 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e Contatos Imediatos e ET, do Spielberg, músicas como London, London, do Caetano – while my eyes, go looking for flying saucers in the sky -, ou Ouro de Tolo, do Raul – no cume calmo do meu olho que vê assenta a sombra sonora de um disco voador – comentavam essa obsessão do inconsciente coletivo com o tema. Programas de TV como Cosmos, conduzido pelo cientista Carl Sagan, também insisitiam na ideia de que a vida fora da Terra é algo matematicamente provável, e aquilo deixava todo mundo muito alvoroçado. Como se o dia do contato estivesse próximo, e alguma grande revelação sobre a existência prestes a tomar forma frente aos nossos olhos. E todas aquelas histórias que ouvíamos sobre o caso Roswell, que asseguravam que o governo americano escondia provas concretas de um et capturado em algum deserto desolado do Novo México, num cenário de faroeste de John Ford, depois que seu disco voador sofreu uma pane e caiu entre cactos e joshua trees.

E as histórias do Triângulo das Bermudas e os misteriosos desaparecimentos de aviões, navios e pombos correio desavisados. Isso sem contar aquelas estranhas seitas místicas que se criavam ao redor de Brasília, à espera do fim do mundo e da chegada de discos voadores redentores, não necessariamente nessa ordem. De vez em quando até aparecia algum ufólogo na TV. Ufólogo! Isso tudo parece tão distante hoje. É engraçado analisar como as imagens dos discos voadores foram mudando com o tempo, e se você vê uma foto de um suposto disco voador nos anos 50, é incrível como ele se parece com um objeto dos anos 50. Como se o design dos discos voadores também obedecesse a evolução do desenho industrial e da engenharia terrestres. Bem, a julgar pelo disco voador da semana passada, concluo que vivemos tempos pouco imaginativos. Ou menos iludidos, quem sabe? Talvez, como observa Luiz Felipe Condé em sua crônica naFolha de São Paulo de 08 de agosto, comentando o filme Melancolia, de Lars von Trier, já estejamos imaginando, por um instante, estarmos sós num universo feito de cinzas.

Por Tony Bellotto

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