Depressão, como tratar?


As causas da depressão são muitas, e vão desde predisposições genéticas, passam pela constituição psicológica, caminham por dentro do mundo dos traumas e perdas, e podem ser, também, de natureza química, com disfunções na engenharia cerebral ou neurológica. Há também casos de depressão provocada pelo uso excessivo de certas drogas ou álcool.

Alguém pergunta: “E não há depressão de natureza espiritual?” Ora, é claro que também há. No entanto, tais depressões são de natureza diferente, podendo ser apenas o resultado da culpa ou, algumas vezes, de opressão espiritual direta. No entanto, tais casos são raros, sendo, na maioria das vezes, fruto do envolvimento da pessoa com invocações de natureza maligna ou carregada de escuridade espiritual e psicológica.

Ora, mesmo sabendo de todas essas variáveis, se eu tivesse que dar um conselho geral a todos os deprimidos, independentemente da causa da depressão, eu diria o seguinte:

1. Faça de qualquer depressão um bem, simplesmente não gerando associação entre o estado de depressão a qualquer forma de culpa moral. E, caso tenha havido culpa no nascedouro do estado, receba o perdão, creia, e desmoralize a depressão. Ou seja: se ela permanecer, já não será como tristeza para a morte, que é fruto da culpa; mas sim como tristeza para a vida, e que fará melhor e mais doce o coração.

2. Não se fixe na depressão. Deixe que ela se vire sozinha. Dar atenção à depressão é como fazer carinho na tristeza como vício. Portanto, não a negue, mas não a sente no trono de seu ser como senhora de seus sentimentos.

3. Busque a natureza, o ar livre, a praia, a piscina, o sol, o pé no chão, a grama, a terra, as fontes de águas, as atividades físicas, o toque, o amor, o sexo, a companhia de amigos, os papos diferentes, e, sobretudo, descanse no amor de Deus. Sei que uma pessoa deprimida quer se prender dentro do quarto, fechar a janela e se enterrar na escuridão, noite e dia. No entanto, pela minha experiência— tanto em mim mesmo como observando a praticidade deste conselho em outros—, verifico que a natureza e a volta aos elementos básicos da criação têm um poder enorme na cura e restauração das energias psíquicas e vitais, fazendo com que pelo menos 50% do problema comece a se esvair.

4. Não fique com pena de você. Depressão ama autopiedade. Olhe para a depressão como um estado criativo, e não como algo paralisante. Sempre tratei a depressão com criatividade. Quando me deprimi em razão da violação da “lei interior” (conforme falei acima), escrevi o livro “Oração para Viver e Morrer”. Quando os céus caíram sobre minha cabeça (98-99), escrevi “Nephilim”, e, logo depois, “Tábuas de Eva”. Quando mudei para Copacabana em 2001 e me senti deprimido por muitas coisas (ainda reflexo do desabamento celestial de 98-99), escrevi “O Enigma da Graça”. E quando meu filho partiu, mergulhei de cabeça aqui no site e escrevi … escrevi… escrevi…

5. Leia os salmos. Todos eles. E observe como alegria e tristeza têm o mesmo poder: gerar orações. A alegria produz ações de graça, e a depressão produz a expansão da comunhão com Deus, produzindo orações de verdade visceral. Os salmos são esses relatos existenciais; e neles a gente vê que tristeza e alegria são a mesma coisa no que diz respeito a poderem conviver com o melhor da espiritualidade humana.

6. Tome os remédios próprios sem culpa e sem julgamento moral e espiritual acerca do estado para o qual eles são receitados. Nosso problema é que a depressão não tem descanso numa alma cristã, especialmente porque a pessoa chega na igreja e ouve as promessas de que crente não fica deprimido, e, assim, mergulha na depressão da depressão. Desse modo, depressão de crente é sempre, no mínimo, depressão ao quadrado: a coisa em si e a culpa de se estar sentindo a coisa, o que gera uma segunda depressão e fixa a primeira. No entanto, a depressão do crente tem também a possibilidade de ser elevada à raiz cúbica: a depressão, a culpa da depressão, e o diabo da depressão. Essa equação é a pior de todas, e é muito comum nos crentes, neuróticos que são em relação a tudo, especialmente no que diz respeito a toda sorte de tristeza.

Continua

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