A Maçã


Estreando meu novo computador – o antigo, depois de anos de brava luta, deu pau – dou de cara com uma pequena maçã negra já mordida recortada sob a tela do monitor. A maçãzinha vem a ser o símbolo da empresa que fabrica o computador, embora para mim aquela maçã remeta sempre aos Beatles.

Durante muito tempo, inclusive, pensei que a Apple era uma empresa dos Beatles, e que o negócio dos computadores se limitava a uma, digamos assim, diversificação de investimentos dos Quatro Cavaleiros do Apóscalipso. Imagino Paul McCartney descalço em plenos anos 70, sentado numa mesa de reunião, dizendo aos outros três ex-Beatles: “Bicho, o negócio da música nunca se sabe, mas informática…eis o futuro! Ei, George! Dá pra apagar esse incenso e prestar atenção em mim? Tô falando uma coisa séria aqui,  bicho”.

Hum…será? Forcei… acho que botei a imaginação pra trabalhar um pouco além da conta, não? De qualquer forma, nenhuma fruta carrega tanto simbolismo como a maçã. Nem legume, ou tubérculo. Ou alguém se imagina trabalhando num computador cujo logotipo é uma batata? Ou ouvindo música num aparelho ornamentado por um rabanete? Ou assistindo a uma TV simbolizada por uma cebola cortada ao meio? Algum empresário em pleno domínio de suas faculdades mentais sugeriria uma berinjela como símbolo de uma empresa de alta tecnologia? “Galera, vocês já foram na loja nova da Eggplant na Barra? Irada…”.

De onde vem o charme da maçã? Do Paraíso, pra começo de conversa. A tal da fruta proibida com que a cobra xavecou Eva, que por sua vez, devidamente xavecada, xavecou o pobre e ingênuo Adão. Ah, essas mulheres…vem daí o apelido de Nova York, a Big Apple, alvo preferencial de mulheres ávidas por comprar, comprar e comprar.

O Talking Heads, não por acaso um grupo de rock novaiorquino, tem uma música chamada Shopping is a Feeling. A Big Apple é também – infelizmente – a meta (não a Meca!) número 1 de Al Qaedas e outros grupos religiosos fundamentalistas, sempre tão zelosos e preocupados com os xavecos da cobra e as irreversíveis (e irresistíveis) sequelas morais causadas pelas mordidas na maçã. Isso sem contar aquela brilhante e suculenta maçã com que a bruxa má presenteia a Branca de Neve no desenho de Walt Disney.

Quem já não se sentiu tentado a dar uma mordidinha naquela maçã? E não podemos esquecer também que a fruta que caiu na cabeça de Isaac Newton, dando-lhe o clic para entender e explicar a força da gravidade, foi uma maçã. Ainda bem que não havia coqueiros na Inglaterra, pois se um coco tivesse caído na cabeça de Newton, talvez o próprio Newton não sobrevivesse para contar (e fazer) a história.

Bem, é isso.  O que dizer? Viva a maçã! Sinto que eu e meu novo computador começamos nossa relação com os auspícios de uma bela maçã suculenta já mordida. Espero que não tenha nenhuma bruxa por trás disso.

Por Tony Bellotto

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