“Por que escrevo?” – respostas dos que chegaram lá


Uma das perguntas que mais perturba aqueles que querem escrever, editar, publicar e se comunicar através da literatura, é: “Por que escrevo?”. Por que quero tanto isso? Por que passo dias, noites, semanas, anos trabalhando meus escritos?  Por que devo continuar a escrever? Por que isso deve ser importante para mim? E se nunca me descobrirem? E se nunca me editarem? E se meus livros passarem a vida nas gavetas, nas minhas gavetas, e não nas estantes dos leitores? E se minhas “obras” me esquecerem e me deixarem sem vontade de continuar a escrever?

A pergunta também chacoalhou a mente de consagrados escritores, que um dia foram só leitores, e que hoje podem se orgulhar de estarem nas estantes de muitos. “Por que escrevo, afinal?” teve resposta de muitos deles, de muitos que chegaram lá, que conseguiram. Saber a resposta pode ajudar uma legião dos que querem também alcançar esse altar.

“Eu nunca me perguntei isso e não creio que tenha interesse” (Eduardo Mendoza).

“Porque o meu cérebro se comunica melhor com as minhas mãos do que com a língua. Porque o papel é um filtro, um escudo, entre as minhas palavras e os olhos do outro. Porque me odeio menos escrevendo do que falando. Porque enquanto eu escrevo eu posso corrigir, escolher as palavras uma a uma, e nada me interrompe nem se desespera enquanto as encontro. Por ser um ameno vício solitário” (Héctor Abad Faciolince).

“Porque eu gosto” (Umberto Eco).

“Escrevo porque não sei escrever. Colocar algo novo no mundo é um privilégio que não se concede a muita gente. Além disso, a realidade não é real para mim até que tenha passado através do filtro das palavras. Por isso, penso que escrevo para imaginar a realidade totalmente real. A arte cria a vida, disse Henry James, e é isso mesmo.” (John Banville)

“Por que respiro?” (Carlos Fuentes).

“Escrevo porque é sempre melhor do que descarregar caixas no mercado central. Escrevo porque não sei fazer outra coisa. Escrevo porque depois posso dedicar meus livros a meus netos. Escrevo porque me faz lembrar de pessoas que tanto me são queridas. Escrevo porque gosto de contar histórias. Escrevo porque ao final posso tomar minha cerveja. Escrevo para retornar a tudo que já li.” (Andrea Camilleri)

“Se  soubesse por que escrevo, talvez não escrevesse” (Jorge Semprun).

“Como já disse em várias ocasiões, escrevo para não ter um chefe nem ver-me obrigado a madrugar. Também porque não há muito mais coisas que sei fazer, e prefiro e me dá mais prazer que traduzir ou dar aulas, que aparentemente sei fazer. Ou sabia, são atividades do passado. Também escrevo para não dever quase nada e nem ter que saudar a quem não desejo saudar. Porque acredito que penso melhor enquanto estou diante da máquina do que em qualquer outro lugar ou circunstância” (Javier Marías).

“É o centro do que faço. Não posso imaginar a vida sem a escrita” (Mario Vargas Llosa).

“Perguntam-me por que escolhi escrever. Eu não escolhi. É como se apaixonar. Sabemos que não é uma boa ideia e ninguém sabe como se chegou lá, mas pelo menos temos que tentar. E por ele dedicamos toda a energia, todos os pensamentos, o tempo todo. Escrever é um ato e é como o amor, algo que se faz. Se desconhece o modo de fazer, por isso que se inventa, porque necessariamente devemos encontrar uma maneira de fazê-lo, um meio de alcançá-lo” (Amélie Nothomb).

“É fantástico nos dedicarmos a alguma coisa que sabemos fazer bem” (Ken Follett).

“Ah, lá vem a velha e traiçoeira pergunta.  Mas também poderiam me perguntar por que acabo de fazer um laço em meus sapatos. E também por que não fiz um nó, que, por acaso, me serviria bem. Este tipo de habilidade não chama nossa atenção,  por ser muito familiar. Mas, em algum tempo distante, um antepassado fez o primeiro laço. Nós não somos mais do que seus imitadores, um elo na cadeia ininterrupta de tradição. Assim, a pergunta deveria ser feita a esses antepassados, e perguntar-lhes por que quiseram ir além de um laço.” (Enrique Vila-Matas).

A pergunta “Por que Escrevo?” foi feita a vários outros autores pelo portal literário (em espanhol)escritores.org

Blog da cultura

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